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terça-feira, 16 de Setembro de 2014

RUFETE

A melhor história de vindima da CASA DO FUNDO DO POVO  é ainda do tempo em que o avô Bernardo fazia o vinho do Porto em casa. Depois de um dia de trabalho na adega, da encuba e do atesto dos cascos alguém deixou um pouco do delicioso néctar numa pequena selha.  No fim da azafama merendava-se no grande armazém o delicioso presunto,chouriço,broa e azeitonas com o vinho tinto da vindima anterior. Tudo home made ! O avô Bernardo ao levantar-se deparou com o Rufete, o galarós lá de casa, rei da capoeira, de crista muito vermelha e grandes esporões como cavaleiro bem armado, caído no chão, crista murcha,roxa,esporões encolhidos, penas coloridas sem brilho. O avô pensou: " O que terá acontecido ao coquericó sempre a arrastar a asa às galinhas? É só abrir um buraco para enterrar o pobre!" mas outros afazeres se mostraram mais urgentes de momento,sendo o Rufete esquecido. A avó Ana já lhe tinha contado os dias,pois até quando ela ia deitar o milho dourado às galinhas, ele lhe andava à volta dos pés, de asa pelo chão,debicando grãos,com coricócó jovial e deixando-os cair de novo para que uma das jovens galinhas do harém o viesse comer. Por outro lado ela até gostava dele,costumava murmurar: " Este nunca come.É como um cavalheiro!" Munido de pá e enxada para tratar da cova, o avô Bernardo foi surpreendido por um grande coquericócó, lançado do fundo da garganta, trabalhado e arrogante. Surpreendido soltou sonora gargalhada e percebeu o que tinha acontecido: Rufete tinha sido o primeiro a provar o Vinho do Porto daquele ano. Soubera o avô disso, quando o viu tombado, que teria ido directo para o forno. Tão bom como um peru bebâdo !

HISTORIAS DE VINDIMA

O tempo das colheitas é cheio de alegria, entusiasmo e satisfação. É reconfortante ver os frutos maduros,sedosos,brilhantes,prontos a comer, depois de um ano de trabalho,medo e expectativa. Quem tem os bens "ao luar" vive o ano inteiro com o "coração nas mãos" ou a rebentar no peito.
As vindimas, na CASA DO FUNDO DO POVO, são uma altura especial em que vem a família que está longe,amigos que estamos anos sem ver. O trabalho é árduo, mas ao fim do dia há o jantar com as sobremesas especiais e o serão.  Esse serão no terraço a contemplar as estrelas, filosofando sériamente ou menos sério, bebericando um Tawny. Com as noites mais frescas ficamos bem dentro de casa onde um amigo puxa da viola e a Filó canta as suas canções madeirenses com voz afinada. Ou conta-se uma história de vindima!

domingo, 7 de Setembro de 2014

RABIGATO

Tintem dormia tranquilamente debaixo dos limoeiros. De vez em quando abria muito a boca, deixava ver a língua cor-de-rosa,os caninos aguçados e esticava-se todo em arco e pensava:
 " Que tédio! " Voltava a fechar os olhos e a dormir. Já conhecia toda a azáfama daquela altura, na quinta.Na vinha um bando de mulheres barulhentas demais para seu gosto,cortava os cachos dourados para caixas plásticas que a seguir colocavam em cima do tractor.Quando era o estouvado do Cristóvão a conduzir era melhor não estar por perto.... A adega era,habitualmente, um lugar seguro e fresco,mas na vindima o desengaçador e a prensa faziam demasiado barulho.Sabia como tudo se processava e tinha que explicar ao tonto do Folgazão que  olhava especado para tudo.
 " O desengaçador retira os pés dos cachos,os bagos vão para a prensa horizontal onde sofrem uma compressão suave; as partes sólidas são retiradas, o vinho vai para as cubas inox onde fermenta com controle de temperatura  e..." .Não valia a pena! Folgazão ladrava a tudo e corria por todo lado. Aquilo devia ser por vir lá da cidade e não saber o que era uma vindima. O calor aumentava e a preguiça também. Ninguém reparava nele,senão Francisca que o chamava : " Bichano,meu lindo,meu fôfinho! Meu kiki!Quem é lindo?" Pois não se sabia já ? E que era aquilo de "Meu kiki?! Ele, o senhor Gato das redondezas?! Perdoava-lhe ,porque a seguir vinha um pratinho de leite ou um pedaçinho de peixe de preferência sem espinhas...Havia mangueiras espalhadas,abria-se a prensa,tirava-se o bagaço e recomeçava tudo de novo. Ouviu dizer que agora se fazia uma cuba de Rabigato e abrindo um olho, com o outro semicerrado, viu Folgazão que olhava especado para a sua cauda. O que teria ela a ver com tudo aquilo? Nada...era apenas uma casta de uvas ! E ele que esperasse pelo tintos que era bem mais complicado!

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

COMEÇANDO A PÉ...

...e em pequenos percursos de carro, e por Santa Marta de Penaguião, temos diversos passeios pedestres; a rota das fontes: Balouta, Capelinha, Fontela,Pereira,Picota, Santo ( na freguesia de Fontes); o miradouro de Santa Bárbara,na estrada N2 de Sta Marta para Vila Real na freguesia da Cumieira ou o Miradouro da Senhora do Viso,entre outros. Este mostra-nos mais a grandiosidade das zonas agrestes da Serra do Marão do que as paisagens vinhateiras. O lugar do Viso, em Fontes, pertenceu à Ordem de Malta e segundo a tradição o santuário foi a Matriz da primeira paróquia desta freguesia. Tem parque de merendas e bons acessos. A Romaria da Nossa senhora do Viso ocorre no primeiro domingo de Setembro.Coordenadas GPS : 41.230334;-7.832603 - Muito perto a CASA DO FUNDO DO POVO para retemperar forças !

domingo, 10 de Agosto de 2014

TANTO PARA VER...

... e fazer ! No Douro pode escolher ter umas férias muito activas ou deixar-se ficar por momentos tranquilos de puro lazer e descontração! A pé, de automóvel, barco, bicicleta ou canoa terá sempre paisagens lindíssimas para apreciar,monumentos cheios de história para visitar, quintas onde provar vinhos extraordinários,restaurantes para degustar iguarias várias, festas e romarias. Dos cerca de 600 aglomerados rurais foram escolhidos Barcos, Favaios, Provezende, Ucanha,Salzedas e Trevões para representarem as aldeias vinhateiras, pela sua rara beleza,história e tradição ligadas ao vinho e à cultura da vinha. Descobrir as suas ruelas estreitas onde se erguem solares e  igrejas antigas, edifícios com bonitas varandas floridas e iguarias regionais é certamente um grande prazer. par poder fazer isso e muito mais fique na CASA DO FUNDO DO POVO onde podemos ajudar a descobrir um pouco de tudo isto!

sábado, 9 de Agosto de 2014

ITINERÁRIOS CULTURAIS

"Uma manhã,Júpiter apareceu-me em Barca D'Alva e disse-me,pondo a mão familiarmente no meu ombro: - "Queres fazer um poema homérico? Vês esta terra selvagem? Rasga-a, ergue-a de socalcos, planta-a de vinha. Dar-te-ei o sol para casar com ela!" Ingénuo e deslumbrado, lancei-me ao trabalho. Um dia, anos mais tarde, Júpiter voltou: - "Belas cepas, Abílio!" - "Cem mil, senhor Júpiter..." - "Cem mil versos de ouro. Fizeste o teu melhor livro" ,
Guerra Junqueiro
http://odouronoscaminhosdaliteratura.com

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

MOURA MORTA

Cidadelhe fica lá no alto, rodeado de matas verdes,socalcos de xisto , vinhas que começam a ser plantadas, "olhando" sobranceiro o grande rio. Este corre fundo ora entre rochedos e redemoinhos, ora em margens mais largas onde , no Verão, as lavadeiras estendem roupas brancas.Nos Invernos rigorosos as margens cobrem-se de barro e pequenos calhaus amarelados. Será por isso que o seu nome é Rio D'Ouro?!
Do émir de Cidadlhe se contam grandes façanhas,mas para proteger os seus tesouros passa a demonstrar uma fé cristâ exagerada e persegue até os do seu próprio povo. Pesa-lhe ao peito uma cruz cujas pedras preciosas faíscam ao sol.
Na parte mais escondida da aldeia vive ainda uma Princesa Moura,esperando que seu noivo regresse da guerra e a possa resgatar daquela terra em que já não é bem vinda.Mas os seus cabelos negros, longos e sedosos não passaram despercebidos aos olhos do émir que pretende que ela receba o baptismo.Fiel, ela resiste; é então presa por não querer renunciar ao Crescente e  abraçar a cruz. No quadrado jardim da casa, por vezes, ela permite-se estender as meadas de ouro que vai tecendo para bordar o seu enxoval enquanto espera o noivo que a virá salvar.Esse dia tarda em chegar até que lhe trazem a notícia que ele está perto e vem ao seu encontro; impaciente decide fugir,mas é perseguida por caminhos agrestes de calhaus soltos e chegada a um penhasco sobre o Rio Seromenha é varada pelos ferros nazarenos. Ali passa a ser o lugar da MOURA MORTA. No entanto, há sortilégios que ninguém conhece e em vez de morta fica para sempre encantada já que nas manhãs de S. João é vista por ali espalhando as suas meadas de ouro e penteando os seus longos cabelos negros que esvoaçam ao vento,ou ela entrança com a ajuda de fitas coloridas..